segunda-feira, 30 de junho de 2008

QUEM FAZ A HISTÓRIA

Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes destruída
Quem ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
Moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios
Para seus habitantes?
Mesmo na legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Os que se afogavam gritaram por seus escravos.
O jovem Alexandre consquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses,
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Fredrico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?

Uma vitória a cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?

Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as despesas?

Tantos relatos.
Tantas perguntas.

Bertold Brecht

domingo, 8 de junho de 2008

Eleições para reitor: Uma contribuição aos estudantes e à universidade!

 A expansão da universidade federal de Sergipe está em pleno andamento. É um processo nacional do qual não devemos nos abster da discussão. As questões centrais são, portanto, discutir o caráter dessa expansão e a forma como a mesma vem sendo conduzida. Destacam-se aí alguns aspectos: falta de amplos espaços de discussão sobre o processo, lembrando fatos como o ensino à distância e o REUNI - passados a rodo pela administração central – ausência de assistência estudantil que contemple as demandas mais urgentes considerando a permanência dos estudantes de origem popular, como a ausência de café da manhã no RESUN, não construção da casa de estudantes nos campis para os residentes e proibição de qualquer vínculo empregatício para quem está dentro do programa de assistência da universidade e tantos outros fatos que estão incluídos nesse processo como o próprio transtorno acadêmico com mudanças de horários, barulhos de obras durante as aulas e inchaço de turmas. A expansão deve acontecer. Mas com debate, com garantia da assistência estudantil e da qualidade acadêmica. Não adianta mostrar números ao MEC e à sociedade sergipana. O que está em jogo é a formação dos indivíduos ao longo do ensino superior. Realmente qualificada para uma intervenção na sociedade, que forneça bases para um pensamento crítico e questionador dos modelos vigentes ao passo que nos dê uma boa qualificação profissional.

 Nesse sentido, as eleições para reitor vão na contramão do que deve ser a democracia na universidade e reforça a concepção da expansão no que toca à falta de discussão. Ainda mais porque estamos nesse processo expansionista é que precisamos de tempo para o debate. Dois pontos merecem atenção aqui: 1)menos de 30 dias desde a assembléia geral universitária (não divulgada pelo DCE) até a apuração e resultado do pleito. Qual a eleição de centro acadêmico, sindicato ou reitoria foi realizada em menos de trinta dias? Que pressa é essa? Lembrando que a votação já começa no próximo sábado (14/06)... 2)Quem administra a universidade não é o reitor, vice, pró-reitores, prefeito do campus, isto é, um grupo de pessoas que demonstram afinidade política e determinadas propostas? Por que, então, a escolha se resume ao reitor e vice? Com os professores, técnicos e estudantes é diferente. E temos o exemplo da última eleição para o DCE onde tivemos além de presidente e vice, tesoureiro, secretaria de esportes, secretaria de comunicação, etc. É ou não uma questão de transparência e democracia? Pesemos nesses dois pontos...

 A eleição perde de imediato seus objetivos maiores. No lugar de um amplo processo de escolha da melhor plataforma política-educacional-administrativa para a UFS, através de grandes diálogos, envolvimento da comunidade acadêmica em cada etapa eleitoral, crescimento e aperfeiçoamento dos institutos democráticos e centralidade do debate em detrimento do voto, ocupa esse espaço uma concepção distorcida, como se esta fosse uma eleição qualquer, abrindo margem principalmente para o personalismo (Jonatas x Josué) esquecendo os projetos que estão por trás das candidaturas. Há que ressaltar ainda, que para nós, a eleição é apenas parte de um processo. Ela é um fato acontecido a cada quatro anos. E durante esses intervalos de tempo está o principal: o cotidiano de discussão e a implementação de ações que visem cumprir os seus objetivos de universidade pública, gratuita e de qualidade. As eleições não resolvem nossos problemas, por melhores que sejam as propostas. Há uma distância muito grande entre ser eleito e fazer uma boa gestão.

 Os estudantes, dentro desse contexto, devem se inserir no processo eleitoral com vistas a contribuir com a superação dos problemas atuais da falta de democracia e transparência e mais: decidir sobre qual o projeto (que queremos) que os candidatos implementem à frente da administração da UFS. Somos mais de 14000 e nossa voz deve ter algum eco dentro da comunidade acadêmica. Para sermos propositivos, e não apenas críticos vazios, apresentamos algumas propostas colhidas no histórico de mobilização dos estudantes dentro da universidade, em especial da paralisação de três meses ocorrida em 2007, na qual conseguimos construir a base de um projeto de universidade com diretrizes mínimas. Segue abaixo o que propomos:

1)Assistência estudantil
*RESUN
- Melhorar a qualidade da comida.
- Abrir o RESUN no horário; os estudantes não podem escolher entre a comida e a aula!
- Contratar funcionários
- Instaurar o café da manhã
- Retirar a carne moída (boi ralado) e o fígado do cardápio.

*BICEN
- Ampliar o tamanho
- Renovar o arcevo: o pró-quali tem que funcionar!

*Moradia/Residência
- Construir urgentemente a casa dos estudantes nos três campis presenciais
- Permitir o vínculo empregatício para quem tem bolsa-residência
- Dar total apoio ao encontro nordestino de residentes que acontecerá na UFS esse ano.

*Transporte
- Compra de ônibus: 1 ônibus de grande porte é pouco para a UFS!
- Reavaliar os critérios de utilização do ônibus: 1 viagem anual por curso é pouco!
- Ampliar as linhas para o campus: chega de ser sardinha e refém da prefeitura municipal e dos empresários!
- Criar definitivamente a linha campus-zona norte ou campus-maracaju!
- Criar uma linha circular entre o HU e o campus São Cristóvão
- Discutir o transporte em Laranjeiras e Itabaiana urgentemente!

*Gerais
- Criação do posto de saúde nos campis em parceria com órgãos públicos
- Criação da creche universitária: as mães também devem estudar!
- Ampliar toda a estrutura universitária para os portadores de necessidades especiais
- Rever a finalidade e o preço da bolsa-trabalho: R$250,00 é pouco por mês!
- Fim das taxas cobradas na UFS (matrícula, diploma, trancamento, etc.) Não é gratuita?
- Que a UFS brigue pela volta da rubrica específica para assistência estudantil cortada no governo FHC e mantida no governo Lula.

2)Reforma universitária / REUNI
- Contra o REUNI: Realizar amplos espaços de debate sobre o REUNI e as normas acadêmicas – a comunidade acadêmica vai continuar sem ver debates sobre o tema?
- Rever a UAB/Ensino à distância como modalidade complementar de ensino e não como principal. Integrar esses estudantes no ensino presencial.
- Contra as fundações de apoio e os cursos pagos! Não é gratuita?
- Aumento no quadro de funcionários públicos: docentes e técnicos!
- Contra a Fundação Estatal de Direito Privado no HU. Não à privatização da saúde!

3)Democracia
- Amplos espaços de discussão sobre todos os temas relevantes à comunidade.
- Paridade nos conselhos: A ditadura acabou!
- Criação dos conselhos paritários de assistência estudantil e extensão: compromisso da reitoria que não se cumpriu até o momento...
- Eleições diretas e paritárias para os diretores em Itabaiana e Laranjeiras! Até quando as indicações permanecerão?
- Que a administração não interfira na organização e autonomia das categorias.
- Discutir a rádio UFS como meio de comunicação democrático da comunidade acadêmica e não como correio de transmissão da administração.

4)Gerais
- Debater o uso do espaço físico da vivência
- Garantir as cotas no seu acesso e permanência.
- Realizar a reforma estatutária da UFS. Chega de normas anacrônicas!
- Realizar uma ampla avaliação institucional democrática e transparente.


Movimento Resistência e Luta
Construindo o movimento estudantil e a UFS

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Cliping de Notícias - Ocupação Primeiro de Maio

02/05/2008

Prédio abandonado é invadido por famílias de sem teto - Vídeo

05/05/2008

Comtur pede reapropriação de hotel invadido pelo Motu

06/05/2008

Estado é sócio do inacabado Hotel Brisa Mar

21/05/2008

Invasão de prédio abandonado continua crescendo

27/05/2008

Invasores de hotel deverão deixar o local ainda esta semana

02/06/2008

Famílias temem violência em reintegração de posse - Vídeo

Desocupação de hotel será nesta quarta-feira

03/06/2008

Famílias fazem protesto em frente à Assembléia - Vídeo

Famílias protestam por moradia e temem ação da polícia

04/06/2008

Ocupantes resistem a despejo de hotel

Famílias resistem à desocupação de hotel

Desocupação do prédio é suspensa

Famílias deixam hotel pacificamente

MPF acompanha de perto a desocupação

05/06/2008

Familias da ocupação do prédio são cadastradas

Ocupantes saem do Hotel Brisa-Mar

 Desocupação de hotel é suspensa pela Justiça 

06/06/2008

 Invasores desocupam construção de hotel no Bairro Atalaia 

Famílias de desabrigados ocupam novo espaço

Audiência discute situação de desabrigados

PMA cadastra e encaminha famílias que ocupavam Hotel Brisamar para programas sociais

07/06/2008

Invasão de famílias em Aracaju causa tumulto - Vídeo

08/06/2008

PM retira famílias do kartódromo

09/06/2008

Famílias estão alojadas em barracão da PMA

PM fala sobre desocupação do kartódromo

MOTU se instala no Galpão Industrial no Siqueira Campos

10/06/2008

Governo divulga nota de esclarecimento sobre desocupação

OAB/SE: ação da PM foi um atentado à dignidade e à honra das pessoas

Representantes da PMA visitam famílias que ocupavam antigo kartódromo

OAB repudia atitude do Governo do Estado na desocupação do kartódromo

Nota de esclarecimento do Governo repercute na AL

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ocupação Primeiro de Maio, Resistência e Luta por moradia!

No dia do trabalhador iniciou-se a ocupação do hotel abandonado Brisa Mar, hoje a Ocupação Primeiro de Maio.
A ocupação que começou com trinta famílias chega hoje a 300! Com um senso de organização muito grande esses trabalhadores se unem para cuidar e gerir de forma coletiva a ocupação e também se preparam para resistir a reintegração de posse.
A ocupação, que é impulsionada pelo MOTU (Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos), tem sido praticamente ignorada por orgãos públicos e imprensa que hoje só se preocupam com a festa junina.
Na próxima quarta está marcada a desocupação pela polícia, os moradores irão resistir porque não tem outra escolha, ou resistem ou vão para a rua literalmente.
O Movimento Resistência e Luta se põe ao lado desses trabalhadores por entender a legitimidade da ocupação e da luta pela moradia. Por isso, convidamos todos aqueles que se sensibilizam com a situação dessas pessoas a ajudarem na resistência, dando apoio material e moral e estando na próxima quarta (04/06) junto com os moradores da ocupação para resistir e ajuda-los a conseguir um lar.
Para maiores informações entre em contato conosco via orkut ou pelo email: mrlmilitantes@gmail.com

Movimento Resistência e Luta

terça-feira, 27 de maio de 2008

OS 10 MITOS SOBRE AS COTAS

1- as cotas ferem o princípio da igualdade, tal como definido no artigo 5º da Constituição, pelo qual “todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza”. São, portanto, inconstitucionais.

Na visão, entre outros juristas, dos ministros do STF, Marco Aurélio de Mello, Antonio Bandeira de Mello e Joaquim Barbosa Gomes, o princípio constitucional da igualdade, contido no art. 5º, refere-se a igualdade formal de todos os cidadãos perante a lei. A igualdade de fato é tão somente um alvo a ser atingido, devendo ser promovida, garantindo a igualdade de oportunidades como manda o art. 3º da mesma Constituição Federal. As políticas públicas de afirmação de direitos são, portanto, constitucionais e absolutamente necessárias.

2- as cotas subvertem o princípio do mérito acadêmico, único requisito que deve ser contemplado para o acesso à universidade.

Vivemos numa das sociedades mais injustas do planeta, onde o “mérito acadêmico” é apresentado como o resultado de avaliações objetivas e não contaminadas pela profunda desigualdade social existente. O vestibular está longe de ser uma prova equânime que classifica os alunos segundo sua inteligência. As oportunidades sociais ampliam e multiplicam as oportunidades educacionais.

3- as cotas constituem uma medida inócua, porque o verdadeiro problema é a péssima qualidade do ensino público no país.

É um grande erro pensar que, no campo das políticas públicas democráticas, os avanços se produzem por etapas seqüenciais: primeiro melhora a educação básica e depois se democratiza a universidade. Ambos os desafios são urgentes e precisam ser assumidos enfaticamente de forma simultânea.

4- as cotas baixam o nível acadêmico das nossas universidades.

Diversos estudos mostram que, nas universidades onde as cotas foram implementadas, não houve perda da qualidade do ensino. Universidades que adotaram cotas (como a Uneb, Unb, UFBA e UERJ) demonstraram que o desempenho acadêmico entre cotistas e não cotistas é o mesmo, não havendo diferenças consideráveis. Por outro lado, como também evidenciam numerosas pesquisas, o estímulo e a motivação são fundamentais para o bom desempenho acadêmico.

5- a sociedade brasileira é contra as cotas.

Diversas pesquisas de opinião mostram que houve um progressivo e contundente reconhecimento da importância das cotas na sociedade brasileira. Mais da metade dos reitores e reitoras das universidades federais, segundo ANDIFES, já é favorável às cotas. Pesquisas realizadas pelo Programa Políticas da Cor, na ANPED e na ANPOCS, duas das mais importantes associações científicas do Brasil, bem como em diversas universidades públicas, mostram o apoio da comunidade acadêmica às cotas, inclusive entre os professores dos cursos denominados “mais competitivos” (medicina, direito, engenharia etc). Alguns meios de comunicação e alguns jornalistas têm fustigado as políticas afirmativas e, particularmente, as cotas. Mas isso não significa, obviamente, que a sociedade brasileira as rejeita.

6- as cotas não podem incluir critérios raciais ou étnicos devido ao alto grau de miscigenação da sociedade brasileira, que impossibilita distinguir quem é negro ou branco no país.

Somos, sem dúvida nenhuma, uma sociedade mestiça, mas o valor dessa mestiçagem é meramente retórico no Brasil. Na cotidianidade, as pessoas são discriminadas pela sua cor, sua etnia, sua origem, seu sotaque, seu sexo e sua opção sexual. Quando se trata de fazer uma política pública de afirmação de direitos, nossa cor magicamente se desmancha. Mas, quando pretendemos obter um emprego, uma vaga na universidade ou, simplesmente, não ser constrangidos por arbitrariedades de todo tipo, nossa cor torna-se um fator crucial para a vantagem de alguns e desvantagens de outros. A população negra é discriminada porque grande parte dela é pobre, mas também pela cor da sua pele. No Brasil, quase a metade da população é negra. E grande parte dela é pobre, discriminada e excluída. Isto não é uma mera coincidência.

7- as cotas vão favorecer aos negros e discriminar ainda mais aos brancos pobres.

Esta é, quiçá, uma das mais perversas falácias contra as cotas. O projeto atualmente tramitando na Câmara dos Deputados, PL 73/99, já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, favorece os alunos e alunas oriundos das escolas públicas, colocando como requisito uma representatividade racial e étnica equivalente à existente na região onde está situada cada universidade. Trata-se de uma criativa proposta onde se combinam os critérios sociais, raciais e étnicos. É curioso que setores que nunca defenderam o interesse dos setores populares ataquem as cotas porque agora, segundo dizem, os pobres perderão oportunidades que nunca lhes foram oferecidas. O projeto de Lei 73/99 é um avanço fundamental na construção da justiça social no país e na luta contra a discriminação social, racial e étnica.

8- as cotas vão fazer da nossa, uma sociedade racista.

O Brasil esta longe de ser uma democracia racial. No mercado de trabalho, na política, na educação, em todos os âmbitos, os/as negros/as têm menos oportunidades e possibilidades que a população branca. O racismo no Brasil está imbricado nas instituições públicas e privadas. E age de forma silenciosa. As cotas não criam o racismo. Ele já existe. As cotas ajudam a colocar em debate sua perversa presença, funcionando como uma efetiva medida anti-racista.

9- as cotas são inúteis porque o problema não é o acesso, senão a permanência.

Cotas e estratégias efetivas de permanência fazem parte de uma mesma política pública. Não se trata de fazer uma ou outra, senão ambas. As cotas não solucionam todos os problemas da universidade, são apenas uma ferramenta eficaz na democratização das oportunidades de acesso ao ensino superior para um amplo setor da sociedade excluído historicamente do mesmo. É evidente que as cotas, sem uma política de permanência, correm sérios riscos de não atingir sua meta democrática.

10- as cotas são prejudiciais para os próprios negros, já que os estigmatizam como sendo incompetentes e não merecedores do lugar que ocupam nas universidades.

Argumentações deste tipo não são freqüentes entre a população negra e, menos ainda, entre os alunos e alunas cotistas. As cotas são consideradas por eles, como uma vitória democrática, não como uma derrota na sua auto-estima, ser cotista é hoje um orgulho para estes alunos e alunas. Porque, nessa condição, há um passado de lutas, de sofrimento, de derrotas e, também, de conquistas. Há um compromisso assumido. Há um direito realizado. Hoje, como no passado, os grupos excluídos e discriminados se sentem mais e não menos reconhecidos socialmente quando seus direitos são afirmados, quando a lei cria condições efetivas para lutar contra as diversas formas de segregação. A multiplicação, nas nossas universidades, de alunos e alunas pobres, de jovens negros e negras, de filhos e filhas das mais diversas comunidades indígenas é um orgulho para todos eles.


Fonte:

http://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=53

Blog do Coletivo de Mulheres Sergipe

Estamos divulgando aqui o blog do Coletivo de Mulheres Sergipe, formado em sua maioria por estudantes da UFS e algumas integrantes do MRL.

Vale a pena conferir: http://www.coletivomulheres.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Assembléia Geral Universitária

Nesta quarta-feira (21/05) às 9h, no auditório da reitoria, acontecerá a assembléia geral universitária da UFS. Uma assembléia que congrega as três categorias (técnicos administrativos, docentes e estudantes) e tem como pauta principal as eleições para reitor.

A assembléia geral universitária é convocada pelas três categorias, por meio de uma indicação de data a partir de suas assembléias setoriais. A ADUFS e o SINTUFS realizaram suas assembléias e decidiram pela data desta quarta-feira. O DCE deveria ter feito o mesmo, mas não se sabe até o momento porque uma assembléia estudantil não foi convocada. De qualquer forma, como as outras duas categorias indicaram suas posições, a assembléia geral será mesmo realizada.

As eleições para reitor representam uma grande movimentação política na comunidade acadêmica, pelos fatos auto-explicativos de escolha do gestor da instituição e pela grande quantidade de indivíduos envolvidos no processo. E, justamente, nessa assembléia geral universitária é que serão decididos pontos polêmicos, como as datas, participação dos estudantes do ensino à distância e professores substitutos, entre outros.

Com isso, esperamos divulgar ao máximo, tendo em vista a ausência de assembléia estudantil, informes, passadas em sala, DAA informa, cartazes ou qualquer outro meio de comunicação. Temos que garantir a transparência e democracia, sob pena de termos um retrocesso histórico na condução dos processos eleitorais dentro da UFS.


"Ela virá, a revolução conquistará a todos o direito não somente ao pão mas, também, à poesia". (Trotsky)

Movimento Resistência e Luta

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Calourada da Resistência e Luta!!!

A calourada do MRL acontece na segunda semana de aula, a partir do dia 28. Logo abaixo voçê tem a progamação. Contamos com a presença de tod@s!!

Dia 28 às 19hrs: A Realidade do estudade trabalhador e o mercado de trabalho. Auditório de Educação/DED.

Dia 29 às 14:30: Relação da mídia como Movimento Estudantil. Mini-Auditório de História

Dia 30 às 9hrs: Exibição do filme " Os Sonhadores" e debate sobre o Maio de 68 françês. Auditório do CECH

domingo, 20 de abril de 2008

Reitoria da UFS x Democracia: Uma incansável batalha...

Democracia vem libertar esse povo brasileiro,
democracia (vem libertar, vem libertar).(Aqui tu existe mas) nunca saiste do papel(Aqui tu existe) porém ninguém nunca te viu(Aqui tu existe mas) nunca saiste do papel(Aqui tu existe mas) onde estás?, onde estás?
Prisioneira [...]"
(Edson Gomes – Linda
)

Estamos acostumados a dizer que vivemos numa democracia. A denominação, inclusive, da nossa forma de organização na modernidade é Estado democrático de direito. As eleições acontecem de dois em dois anos e exercemos o poder do voto. Podemos nos queixar da democracia? Isso quando não somos alertados com certas colocações: "vocês deviam ver como era na ditadura..." .

Mas a democracia vai além do voto, dos nomes e dos livros. Ela se materializa e a prática nos mostra outros detalhes. Por sinal, bem diferentes do que propagamos aos sete ventos. Esta semana tivemos mais um exemplo de sua real eficácia e de sua distorção enquanto conceito a ser passado do papel para a ação.

Todo santo início de período letivo é preparada uma recepção para os que chegam. Conhecemos essa atividade como calourada. Dessa vez, a administração da UFS propôs a construção coletiva da calourada UFS 2008. Coletivamente, no sentido de trabalhar em conjunto com os estudantes e suas entidades representativas (CA's, DA's, AAU, Conselho de Residentes e DCE). Até então uma atitude louvável e que mostra uma nova capacidade de diálogo entre estudantes e administração.

A questão é: aconteceram quatro reuniões para definir o conteúdo de forma democrática. De repente, e não mais que de repente, a programação foi alterada pela reitoria sem a consulta dos estudantes que vinham caminhando juntos nesse processo. Duas perguntas básicas, na mente surgiram: 1)Para que serviram as quatro reuniões se tudo seria mudado depois unilateralmente? 2)Qual o conceito de coletividade da atual administração da UFS?

Refletindo mais amplamente sobre esse processo e contextualizando essa atual gestão dentro de um resgate histórico de suas ações, como interiorização do campus sem debate, universidade aberta/ensino à distância sem debate, falta de comprometimento com a não privatização do HU (igualmente sem debate) e mais recentemente, o REUNI aprovado nas férias – e nem precisa dizer que faltou debate, concluímos facilmente que essa tentativa não passou de mais um engodo democrático a fim de aproximar estudantes com falsos discursos. O bom e velho democratismo. ..

Mas não estamos a ver navios e plataformas na praia de Atalaia. A goleada aplicada na democracia não contenta muitos estudantes. A batalha certamente é longa. Fácil, sem dúvidas, também não será. Mas há quem contrarie essa lógica de democracia e pensa que a organização, a resistência e a luta pode ser um caminho para uma universidade de fato coletiva e democrática.

*Alexis Azevedo – Direito UFS
MRL - Movimento Resistência e Luta
Barricadas fecham ruas, porém abrem caminhos!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A fúria dos pobres

Pelos repórteres do Der Spiegel*
Por todo o mundo, a alta dos preços dos alimentos tornou itens básicos como arroz e milho caros demais para muitas pessoas, levando os pobres às trincheiras porque não conseguem mais o suficiente para comer. Mas o pior ainda está por vir.
Fort Dimanche, um ex-presídio nas colinas acima da capital haitiana de Porto Príncipe, é um inferno na Terra. No passado, ele foi lar das câmaras de tortura dos esquadrões da morte do ex-ditador "Baby Doc" Duvalier, os Tontons Macoutes. Hoje, milhares de haitianos empobrecidos vivem no terreno da prisão, revirando pilhas de lixo em busca de alimento. Mas mesmo os cães encontram pouco para comer lá.
No telhado da antiga prisão, mulheres empreendedoras preparam algo que parece biscoito e até mesmo é chamado assim. O ingrediente chave, barro amarelo, vem de caminhão das montanhas próximas. O barro é combinado com sal e gordura vegetal para fazer a massa, que então é secada ao sol.
Para muitos haitianos, os biscoitos de barro são seu único alimento. Eles têm gosto de gordura, sugam a umidade da boca e deixam para trás um gosto de terra. Eles freqüentemente causam diarréia, mas eles ajudam a aplacar a dor da fome. "Eu espero algum dia ter alimento suficiente para comer, para que possa parar de comer estas coisas", disse Marie Noël, que sobrevive com seus sete filhos dos biscoitos de terra.
O barro para produzir 100 biscoitos custa US$ 5 e seu preço subiu US$ 1,50, ou cerca de 40%, em um ano. O mesmo vale para alimentos básicos. Todavia, a mesma quantidade de dinheiro compra mais bolos de barro do que pão ou tortilhas de milho. Uma tigela diária de arroz está quase fora das possibilidades.
A escassez de alimentos provocou revoltas no Haiti, na semana passada. Uma multidão de cidadãos famintos marchou por Porto Príncipe, atirando pedras e garrafas e cantando "Estamos com fome!" diante do palácio presidencial. Pneus foram queimados e pessoas morreram. Foi apenas mais uma das rebeliões que estão começando a ocorrer com freqüência cada vez maior por todo o mundo, mas que ainda são apenas um prenúncio do que está por vir.
O alimento está se tornando cada vez mais escasso e caro, e seu preço já o torna inacessível para muitas pessoas. As 200 pessoas mais ricas do mundo possuem tanto dinheiro quanto cerca de 40% da população global, mas 850 milhões de pessoas se deitam toda noite com fome. Esta calamidade é "uma das piores violações da dignidade humana", disse o ex-secretário- geral da ONU, Kofi Annan.
Deveríamos nos surpreender com o fato do desespero freqüentemente se transformar em violência? A crise dos alimentos aflige os pobres do mundo - na África, no Sul da Ásia e Oriente Médio - como uma praga bíblica. O preço de itens básicos como arroz, milho e trigo, que se manteve relativamente estável por anos, subiu mais de 180% nos últimos três anos. Um gargalo está se desenvolvendo, cujas conseqüências são potencialmente mais severas do que a crise global nos mercados financeiros. Sem nada a perder, pessoas à beira da inanição estão mais propensas a reagirem com fúria sem limites.
O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) trataram esta crise global em uma reunião conjunta no último fim de semana. Robert Zoellick, o presidente do Banco Mundial, alertou que a explosão dos preços dos alimentos ameaça causar instabilidade em pelo menos 33 países, incluindo potências regionais como Egito, Indonésia e Paquistão, onde o exército teve que ser chamado para proteger os transportes de farinha. A crise está ajudando os movimentos islâmicos radicais a ganharem força no Norte da África. Ocorreram turbulências nas últimas semanas na Mauritânia, Moçambique, Senegal, Costa do Marfim e Camarões, onde a violência já resultou em cerca de 100 mortes.
Há vários motivos para a crise dos alimentos:
- A população mundial está crescendo constantemente, enquanto a quantidade de terra arável está diminuindo.
- A mudança climática está causando uma perda de terras agrícolas, irreversível em alguns casos, em conseqüência de secas, enchentes, tempestades e erosão.
- Por causa da mudança de hábitos alimentares, mais e mais terra arável e florestas virgens estão sendo transformadas em pasto para rebanhos. A produtividade de calorias por hectare de terras dedicadas a pasto é substancialmente menor do que a de terras aráveis.
- O Banco Mundial estimula os países em desenvolvimento a promoverem reformas de mercado, incluindo a abolição das tarifas protecionistas, uma medida que freqüentemente causa grande dano à agricultura local.
-Os especuladores estão elevando os preços das matérias-primas. A alta resultante nos preços do petróleo leva ao cultivo de "plantações de energia", em vez de grãos para alimentos ou ração animal.
- Milhões de pessoas deslocadas por guerras civis precisam de alimento, mas elas não são mais capazes de produzir alimentos.
O que estamos começando a enfrentar não é apenas um gargalo agudo, mas uma crise mundial e fundamental de alimentos. Ela afeta a maioria dos pobres, que gastam uma parcela desproporcionalment e alta de sua renda em comida e água. A crise é tão terrível que está arruinando quaisquer progressos feitos nos últimos anos no combate à fome e doenças.
Com tantas pessoas e terras agrícolas insuficientes, uma luta pela distribuição das melhores terras está se formando, o que poderia se transformar em um novo conflito Norte-Sul. "Atualmente você ouve muito sobre a crise financeira mundial. Mas há outra crise mundial em andamento - e está prejudicando muito mais pessoas", escreveu recentemente o economista americano Paul Krugman em sua coluna regular no "New York Times".
Os mexicanos foram os primeiros a tomar as ruas, onde protestaram contra os preços mais altos da farinha de milho, o ingrediente básico das tortilhas. O México só consegue cobrir uma parte de sua demanda com produção doméstica. Ele importa o restante, principalmente dos Estados Unidos. Enquanto isso, mais e mais produtores rurais americanos estão vendendo seu milho para produtores de biocombustível, que pagam um preço mais alto pelo grão.
Para evitar maiores protestos, o presidente do México, Felipe Calderón, decidiu aumentar os subsídios do governo ao milho, que já eram altos. Mas apenas países que são relativamente fortes financeiramente podem fazer isso. Em outros países, como o Haiti, Bolívia, Argélia e Iêmen, as classes mais baixas foram duramente atingidas pela inflação nos preços dos alimentos.
'As pessoas estão morrendo diante de nossos olhos' No Iêmen, um país do Oriente Médio, as pessoas sobrevivem em média com US$ 1,86 por dia. O governo enfrenta os desafios de uma onda de refugiados da Somália, guerras tribais no norte e a ameaça constante de terrorismo. Desde fevereiro, o preço do trigo no Iêmen dobrou e o preço do arroz e óleo de cozinha aumentaram em um quinto. E desde o final de março, pessoas morreram no Iêmen em tumultos causados pelo preço do pão.
No último trimestre, os preços dos alimentos subiram 145% no Líbano e 20% na Síria. "Até mesmo a salsa, pela qual pagávamos quase nada no passado, repentinamente triplicou de preço", se queixou um morador de Damasco, a capital síria.
O Iraque e o Sudão, antes os "cestos de pão" do mundo árabe, atualmente dependem do Programa Mundial de Alimentos. Mais de um milhão de pessoas no Iraque e 2 milhões na região de Darfur necessitam de ajuda alimentar. A vida em Darfur, a província no oeste do Sudão, sempre foi difícil. O Saara tem avançado para o sul nas últimas quatro décadas, enquanto as chuvas diminuíram dramaticamente. A produção de sorgo, o grão mais importante da área, caiu em dois terços.
A guerra civil no Sudão deixou mais de 2 milhões de pessoas em campos de refugiados completamente dependentes de ajuda alimentar. Os campos na região não são cultivados há anos. "As pessoas estão morrendo diante dos nossos olhos, enquanto o mundo assiste", disse Johan van der Kamp, da organização alemã de ajuda humanitária Deutsche Welthungerhilfe.
Os países em desenvolvimento enfrentaram um desafio semelhante há mais de uma geração, que levou ao advento da chamada Revolução Verde. Por meio do uso de fertilizantes, pesticidas e sementes híbridas, os agricultores nos países em desenvolvimento conseguiram aumentar consideravelmente suas colheitas. Alguns acreditam que é hora de lançar uma segunda revolução verde. Os chefes de pesquisa dos conglomerados agrícolas estão convencidos de que a engenharia genética poderia ser a resposta aos problemas mundiais de alimentos. Mas a pergunta é: quanto tempo isso levaria?
A escassez de alimentos até mesmo se tornou um problema importante em áreas ricas, como Dubai, onde os supermercados prometeram não aumentar os preços de 20 alimentos básicos por pelo menos um ano. A meta, claramente, é impedir a insatisfação entre as legiões de operários de construção indianos e paquistaneses da cidade. Sem eles, os enormes hotéis, museus e ilhas artificiais que estão fazendo a fama mundial de Dubai não existiriam. Os trabalhadores estrangeiros recebem seus baixos salários em moeda local, o dirham, que está atrelado ao dólar em desvalorização.
Os beneficiários da globalização no Golfo não podem permitir tumultos causados por alimentos à sombra de seus arranha-céus e shopping centers. "As conseqüências do descontentamento, da raiva no Oriente Médio, podem ser mais geopolíticas do que em outros lugares", disse recentemente Robin Lodge, do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, para a agência de notícias "Reuters". Em nenhum outro lugar isso é mais verdadeiro do que no Egito.
Saad Ibrahim é dono de uma pequena lanchonete no Cairo, em um bairro atrás da Mesquita Al Azhar. Ele vende pratos como macarrão com molho de tomate com grão-de-bico e sua loja fica em um bom ponto. Todavia, a maioria dos fiéis agora passa rapidamente por sua lanchonete após as orações de sexta-feira. "Meus clientes diminuem a cada dia", disse Ibrahim.
No final do ano passado, uma tonelada de macarrão custava cerca de 1.500 libras egípcias, ou pouco mais de US$ 276. De lá para cá, os preços triplicaram. Ibrahim culpa o governo pela alta do preço. "Na condição de país agrícola, nós poderíamos plantar tudo nós mesmos, em vez de importar por muito dinheiro", ele disse.
Trinta e dois milhões da população de 80 milhões do Egito vivem com cerca de 1 euro (US$ 1,58) por dia, e 16 milhões vivem com ainda menos. Só o preço do óleo de cozinha subiu 40% no ano passado. A inflação saltou mais de 12% em fevereiro, e o preço mais alto do trigo teve um impacto particularmente adverso.
O "aish baladi", um pão chato e redondo macio, é a base da dieta egípcia. O Estado o subsidia há décadas, o que ajudou a manter a calma. Mas por quanto tempo mais este sistema funcionará? As filas estão ficando mais longas em frente às padarias que vendem o pão subsidiado, já que cada vez mais egípcios dependem da ajuda do governo. Tumultos nas últimas semanas resultaram em pelo menos 11 mortos, após padeiros corruptos terem vendido a farinha barata, subsidiada, a preços mais altos no mercado negro, provocando uma resposta irada da população.
Enquanto isso, o governo reservou US$ 2,5 bilhões de seu novo orçamento para os subsídios ao pão. Mas fornecer pão barato tem suas próprias conseqüências bizarras. Alguns produtores rurais estão alimentando seus rebanhos com pão por causa do preço exorbitante da ração animal.
A criação de gado é um negócio lucrativo, porque o aumento da renda em alguns países em desenvolvimento faz com que mais e mais consumidores possam pagar para comer carne. A nova classe média em Déli e Pequim não está mais satisfeita com as dietas tradicionais ricas em alimentos como arroz e lentilhas. Mas são necessários sete quilos de ração e vastas quantidades de água para produzir apenas um quilo de carne bovina, o que pressiona ainda mais os preços.
Na Jordânia, que conta com um sistema moderno de agricultura, o preço de alimentos básicos aumentou 60% em um ano. "Eu mal consigo vender meus hortifrutis" , disse Hussein Bureidi, um vendedor que opera uma barraca próxima da Grande Mesquita, em Amã, a capital da Jordânia. "Até onde isso irá?" O rei Abdullah teme um retorno aos tumultos por causa de alimentos de 1996, quando cidadãos enfurecidos entraram em choque com a polícia na cidade de Karak.
Na Argélia, os preços da gordura vegetal, óleo de milho, açúcar e farinha dobraram em seis meses. Com a exceção de um aumento inadequado de 15% nos salários dos funcionários públicos, o governo fez pouco para impedir o que a Rádio Argel chamou de "um ataque ao nosso padrão de vida". Até agora, as receitas do petróleo e do gás não foram usadas para financiar subsídios adicionais aos alimentos. Se o fizesse, o governo poderia se ver incapaz de pagar em dia o serviço de sua dívida externa.
Mas a Índia possui o maior número de pessoas que não se alimentam de forma suficiente, cerca de 220 milhões. Apropriadamente, duas conferências internacionais sobre a crise dos alimentos foram realizadas em Nova Déli na semana passada. Jacques Diouf, o chefe senegalês da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), atribuiu a culpa ao rápido crescimento na demanda tanto na China quanto na Índia. A crise, disse Diouf, poderia se expandir em uma catástrofe sem precedente.
A China tem perto de um quarto da população mundial para alimentar, mas apenas 7% de suas terras agrícolas. Uma situação semelhante se aplica à Índia. Isto significa que ambos os países precisam importar alimentos em grande escala, levando muitos países exportadores a impor cotas de exportação para que seus próprios cidadãos não fiquem repentinamente privados de alimentos.
Quando os pobres famintos do Haiti perderam o controle na semana passada, os Estados Unidos fecharam sua embaixada local por precaução. Os incidentes também alarmaram o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que escreveu uma carta ao seu par japonês, Yasuo Fukuda, o atual presidente do G8. Na carta, Brown recomendou um esforço da comunidade internacional na preparação de uma "resposta plenamente coordenada" à fome desenfreada.
Ela não poderia vir mais cedo.
Fonte: *Rüdiger Falksohn; Amira El Ahl, Jens Glüsing, Alexander Jung, Padma Rao, Thilo Thielke, Volkhard Windfuhr e Bernhard Zand - Der Spiegel, em 15-4-08